gimba @ 01:00

Sab, 09/07/05

No último domingo, milhares de curiosos esgotaram os ingressos, a cerveja e o sémen no Salão Erótico Internacional de Lisboa. Muitos homens, claro; mas também casais – de todas as idades - e algumas meninas para compôr o ramalhete. Já toda a gente sabe que havia strip-tease, espectáculos eróticos, zona hard, zona fetiche, actrizes a granel, e como não podia deixar de ser, a zona gay.

Grande ajuntamento à porta, tudo em bicos dos pés, para ver uma sala vazia onde um cowboy vestido de látex se bamboleava provocantemente num pequeno palco com banda sonora a condizer. Ao lado, um televisor avantajado exibia cenas de sodomia pura e dura – enfim: imperava a normalidade. Mas ninguém ousava entrar. Depois alguém resolveu fechar a porta e cobrar entradas. E acabaram-se as espreitadelas…
Ao mesmo tempo, em Madrid, um milhão de pessoas descia a Castellana num desfile colorido, sem inibições. Era a marcha anual do orgulho gay. Repito: um milhão de pessoas! Uns celebravam mais ou menos espalhafatosamente a legalização do casamento entre homossexuais – e respectivo direito a adopção - enquanto outros marchavam pelo simples apoio à causa, com alguns políticos à mistura. Sem complexos.
Uma semana antes, a réplica lisboeta do movimento desceu a nossa Avenida da Liberdade - apesar de o presidente da Câmara «não concordar com semelhante desfile». Seguiu-se uma festa de arromba algures numa mata em Benfica, longe dos olhares públicos ofendidos com anos de indecências em pleno Jardim do Príncipe Real!
Eu todos os anos me junto à marcha, manifestando a minha solidariedade com quem é descriminado no trabalho na família e na sociedade. Não pertenço a nenhum movimento ou associação gay. Não sou gay. Sou um homem bem casado, e pai de filhos! Mas isso não impede de maneira nenhuma que me junte à marcha para demonstrar o meu apoio à causa! Eu e a minha esposa lá vamos, no meio de duas ou três drag-queens, «cantando e rindo»…
Espanta-me a pequenez confrangedora do evento. Num milhar de pessoas avistei apenas quatro ou cinco caras conhecidas. Caramba: eu não estou a pedir que as mais famosas bichas da nossa praça – que as há no teatro, na TV, no avionete-set – desçam a Avenida histéricas em luta pelos seus direitos! Têm todo o direito a ficar em casa, longe das objectivas incómodas dos media. O que me aflige é a ausência de caras conhecidas – heterossexuais – que apoiem a causa! Além de mim e da minha mulher, só vi o “casal” Rui Zink/Inês Pedrosa. Não é estranho? Podia lá estar o casal Júlio Isidro! Podia estar o casal Manuel Maria Carrilho – e porque não o casal Jorge Sampaio, já que não há casal José Sócrates?…
Meninos: no ano que vem quero toda a gente a marchar avenida abaixo! Em vez de mil, seremos mil e dez! Viva o orgulho gay!




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